Cuiabá, MT - - 21 de Agosto de 2019

Grupo nasce com a incumbência de ser uma unidade diferenciada da perícia criminal
28/05/2019 /
  

Quando o avião da Gol caiu na região de mata fechada em Peixoto de Azevedo (691 km ao Norte) em 29 de setembro de 2006, a Politec de Mato Grosso se viu em um dos seus maiores desafios: auxiliar nas perícias em uma situação de grande desastre que levou 154 passageiros e tripulantes à morte. Em apoio à Polícia Civil do Distrito Federal, foram acionadas várias forças de segurança pública, entre elas a Polícia Federal e a Politec. Ali nasceu a ideia da criação de uma equipe treinada e equipada para esse tipo de situação.


Desde então, essa ideia foi sendo alimentada e amadurecida, gestão a gestão e, na oportunidade em que Reginaldo do Carmo, um dos peritos que atuou naquele desastre se tornou diretor-geral da Politec, resolveu chamar o colega Luis Paoli para transformar a ideia em realidade, concebendo esse grupo com o desafio de atuar em perícias em situação de desastre ou crimes que exige uma equipe multidisciplinar para proporcionar à Polícia Judiciária Civil um tempo de resposta mais adequado à natureza dos crimes complexos e emergenciais e, consequentemente, sua elucidação.


O Grupo de Atuação em Perícias Especiais (GAPE) nasceu em 2018, com a aula inaugural do Curso Básico em 14 de maio de 2018 sendo sua primeira atuação em janeiro deste ano na invasão na Fazenda Bauru, do ex-deputado estadual José Riva, na perícia do local onde uma pessoa foi assassinada e outras ficaram feridas. A última ação ocorreu no dia 13 de maio, no bairro Nova Conquista, em Cuiabá, quando foram encontradas as ossadas de duas mulheres desaparecidas há seis anos.


A principal diferença entre o acionamento do GAPE e da equipe do plantão é o trabalho conjunto e multidisciplinar, uma vez que o Plantão da Criminalística Metropolitana não oferece tal modalidade.


A experiência de ser especialista em local de crime fez toda a diferença para que o perito criminal Daniel Lopes fosse selecionado a integrar o Gape. Na época da Copa do Mundo ele foi capacitado para perícias em desastre em massa com protocolos da Interpol e utilizou esse conhecimento, por exemplo, durante a perícia na chacina em Colniza em abril de 2017, quando 9 pessoas foram assassinadas. Mesmo com os corpos espalhados por um longo trecho, ele conseguiu auxiliar a Polícia Civil fazendo o trajeto que os assassinos percorreram, posição e situação em que as pessoas estavam quando foram mortas.


“Sem a existência do GAPE ainda, ali foi realizado um trabalho integrado com peritos, médico legista e técnicos em necropsia da região”, comentou o coordenador do GAPE, Perito Luis Paoli.


Os 16 membros do GAPE são voluntários, não recebem remuneração extra pelo trabalho, tendo em comum o desejo de elucidar casos mais complexos. Entre eles há Peritos Médicos legistas e odonto-legista, peritos especialistas em local de crime de morte violenta, crimes de trânsito, Peritos da engenharia legal, Peritos do laboratório forense, Peritos da computação, Técnicos em necropsia e Papiloscopistas.


Caso das ossadas


O perito criminal Daniel Lopes atuou como consultor para a Delegacia de Homicídios até que a operação para as escavações pudesse ser realizada, pois corria em sigilo. Para garantir que tudo fosse realizado da melhor forma possível, diante das eventuais adversidades que a operação sugeria, o GAPE enviou um perito de Local de Crime, uma perita da engenharia legal, especialista em estruturas e segurança do trabalho, e uma técnica de necropsia com conhecimento em osteologia, a participação desses profissionais foi imprescindível para rastrear, localizar e retirar os restos mortais.


Após dois dias de trabalho, conseguiram chegar nas ossadas, que ainda vão passar por exame de DNA. Contudo, a Polícia Civil já diz ter a convicção de que se trata de Talissa de Oliveira Ormond, 22 anos, e Benildes Batista Almeida, 39 anos, pois ambas mantiveram relacionamento amoroso com o proprietário do imóvel e o suspeito dos assassinatos, Adilson Pinto da Fonseca, 48 anos.


As ossadas estão no laboratório forense para análises que podem durar dias ou meses, dependendo das condições do material colhido.


 


 


 

 
Autor: Assessoria de Imprensa
 

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